Mas peraí, UMA PERUA?!
É meu caro, se foi uma perua, provavelmente você deve ter sido ultrapassado pela...
Audi RS4!
Para muitos ferraristas e amantes de outros supercarros por aí, ela não passa de uma Parati anabolizada, mas está longe de ser assim. Além de carregar o símbolo das quatro argolas, essa perua carrega o aval de ninguém menos que a Cosworth (sim, a responsável por tantas e tantas vitórias de tantas equipes e pilotos na F1!) em sua preparação. E se na aparência ela engana um pouco, parecendo uma pacata perua, ainda que da Audi, em pequenos detalhes ela revela sua índole animal: note que os pára-lamas dela são relativamente largos, e que os pára-choques têm entradas de ar nas laterais. Note também que ela possui pneus largos e de perfil baixo (medida 255/40) e rodas de aro de 18 polegadas. Só esses detalhes estéticos já denunciam uma boa parte do caráter dela. A principal diferença dela para um superesportivo "comum" é que ela, mesmo com um interior pra lá de esportivo, conta com "mimos" como ar-condicionado digital, disqueteria e um bom sistema de som. Além do fato de a carroceria de perua permitir transportar bastante carga e qualquer pessoa com conforto - e, no caso dela, em altas velocidades.
Mecanicamente, a união da Audi com a Cosworth resultou num carro que não faz feio frente a
Numa linha do tempo, ela sucedeu a lendária Audi RS2, que ganhou a alcunha de perua mais rápida do mundo, chegando aos 100 km/h em 5,4 segundos e batendo os 262 km/h de velocidade máxima. O modelo 2000, segundo dados da Audi, faz o 0-100 km/h em 4,9 segundos e atinge 250 km/h, limitados eletronicamente. Porém a revista Quatro Rodas bateu os 264 km/h num teste em julho de 2001.
Vale lembrar que há uma RS4 mais nova, que consegue ser ainda mais potente (420 cv) que o modelo apresentado aqui, e que também foi totalmente preparada pela Audi, se valendo da experiência adquirida com as vitórias em Le Mans. Mas, a RS4 de 2000 é um modelo à parte, mais nostálgico (ao menos pra mim). Os mais antigos dirão que a RS2 era mais esportiva e bruta, e os mais novos dirão que a RS4 mais recente tem uma performance superior. Mas, pra mim, a B5 (assim é chamada entre entusiastas da marca das quatro argolas, sendo a mais nova chamada de B7) é a mais memorável. Não só pela união com a Cosworth, mas também pela nostalgia que ela me traz, pois foi um dos primeiros supercarros que li mais informações e conheci melhor. Comparo essa perua com o disco "Californication", do Red Hot Chilli Peppers. Não só por ter sido um disco que me fez gostar da banda no mesmo tempo que comecei a gostar de carros, mas também pelo fato de ser um disco "intermediário", que muitos não consideram melhor que o anterior (Bloodsugarsexmagik), nem que o posterior (By the Way), mas que pra mim ainda é o melhor.

Comparada com os outros modelos já apresentados na série "carros que ainda vou dirigir" a RS4 é o modelo menos potente, mas fica longe de ser desmerecida por isso. Além de ser a única perua a entrar nessa lista até hoje, é o modelo "mais acessível", uma vez que os 250.000 reais cobrados por uma em 2001 já caíram bem, sem contar que ostentar o logo da Audi na frente sempre é sinônimo de desempenho com conforto. Com toda certeza o mais diferente exemplar da série "Carros que ainda vou dirigir"!