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terça-feira, 30 de novembro de 2010

F1: notas sobre o GP


O CIRCUITO

+ A tal Yas Marina Circuit é resultado da seguinte FÓRMULA DA VELOCIDADE:

Mario Kart + $$$ = GP de Las Vegas remixado.

Por isso, nota 2 para qualquer corrida disputada alí. Até mesmo quando é palco para uma decisão de título inesperada como foi a desse ano.

+ Não que a pista seja tão tétrica assim, só que o traçado não foi feito para F1. Só isso. Basicamente ele foi criado para receber a F1... e todo o tipo de corrida que os petrodólares conseguirem atrair. Portanto, o que temos não é uma pista feita para a F1 e sim um traçado genérico capaz de sediar Moto GP, monopostos, carros de turismo e tudo mais que atrair prestígio para os Emirados Árabes.

A Yas Marina Circuit é muito mais uma desculpa para atrair público para todo o complexo “Disneylândico” que envolve suas curvas que uma pista de corrida.

Finalizando esta primeira parte da resenha, o GP de Abu Dhabi é mais ou menos como Jerez De La Frontera e Magny Cours: pistas feitas para todo tipo de corrida, e que seu traçado sinuoso, terreno plano e asfalto estreito, encontraram sua verdadeira vocação com as Motos GPs da vida.


O GRANDE PRÊMIO EM SI

Nota para a corrida: 2

+ Antes de qualquer análise, é preciso dizer que esta foi uma corrida de quatro pilotos com os pedaços do carro do Schumacher aqui, um Kubica lá, mais um Petrov enxerido acolá se intrometendo entre o “Quarteto Fantástico”.

+ Como já faz um tempinho desde a decisão do título, sugiro que você assista ao compacto abaixo para que, relembrando os fatos, o texto seja mais compreensível:



+ Alonso é o Corinthians da F1.

+ Petrov fez o seu e pronto. Mais fora que dentro da Renault para o ano que vem e com o carro andando bem (coisa rara na segunda parte da temporada), o russo fez a sua propaganda. Muito bem feita, diga-se de passagem.

+ Que culpa tem o russo se a Ferrari não consegue criar uma estratégia de box minimamente inteligente? Isso quando eles não estragam a corrida de seus pilotos durante a troca dos pneus...

Que culpa tem o resto do mundo se a Scuderia não consegue solucionar o problema com os pneus? Se os carros da vermelhos não renderam como deveriam na decisão do título, que culpa Petrov tem disso?

Será que, simplesmente por se chamar Fernando Alonso, os outros pilotos tem que sair da pista para que ele possa desfilar???? Definitivamente, o “Príncipe das Astúrias” se comporta como se fosse um herdeiro da família real.

+ O melhor de tudo foi ver o espanhol mostrando o punho cerrado para o Petrov. Embora pareça que ele estava dando uma dura no russo, na verdade só faz esse gesto quem sentiu a pancada. Então naquele momento, caiu a ficha para o piloto da Ferrari.

Por essas e outras, definitivamente, Alonso é o Corinthians da F1. Pq? Ora, assim como o “Timão” tem uma grande torcida, fervorosa, uma história vitoriosa no esporte e tudo mais, na mesma medida da paixão de seus torcedores, traz consigo uma rejeição ferrenha por parte das outras torcidas. Viu? Alonso é o Corinthians da F1. Quem curte, ama. Quem não vai com a cara, quer mais que ele entre pelo cano.

Para quem não concorda que o meu xará seja na F1 o equivalente ao Corinthians no futebol, podemos chegar a um meio termo: no mínimo, se fosse brasileiro, Alonso seria um daqueles torcedores fanáticos da Gaviões da Fiel.

O veloz piloto com que “quase ninguém vai com a cara” sempre tem que encontrar um culpado por suas derrotas.

+ Dito isso, calhou de ter uma Renault na frente dele durante todo o GP, então Petrov é o álibi perfeito para qualquer tipo de acusação quanto ao desempenho inferior da Ferrari em Abu Dhabi.

+ O punho cerrado do espanhol para o russo foi o ato de quem reconheceu a derrota. No popular, naquele momento caiu a ficha: chupa Alonso.

+ Vettel é de fato o mais rápido do ano, mas venceu o título por sorte. Sebastian erra demais para vencer se não tiver todos trabalhando a seu favor. Em uma avaliação simplesmente quanto ao trabalho do piloto, o título seria de Robert Kubica. Talvez entre Kubica e Button.

+ É aí que podemos enxergar a diferença do ótimo para o grande piloto. Os caras realmente clássicos são os que andam bem em qualquer carro. Na atualidade, Hamilton, Alonso, Kubica e Vettel fazem isso. Desses, a quantidade de erros ajuda a refinar a seleção: sobram apenas Kubica e Alonso.

Como o meu xará é um cara pra lá de antipático (lembra até os tempos áureos do Schumacher), volta e meia se envolve em polêmicas extra-pista, maracutais e o escambau, fico mesmo com o polonês da Renault como o melhor da temporada.

Acredito que só ele faria o que Alonso fez na recuperação da Ferrari e... como o espanhol perde no quesito esportividade: KUBICA WINS!

+ Sobre Mark Webber, realmente ele afinou na reta final do campeonato. A corrida em Abu Dhabi foi de dar pena... como se o carro estivesse sabotado, sei lá. Pareceu até a decisão de 2007.

Naquela ocasião, a McLaren tinha o melhor carro, Hamilton era o xodó da equipe e Alonso corria contra tudo e todos em busca do tricampeonato. Hamilton jogou tudo fora ainda na primeira volta, mas seu carro esteve veloz o suficiente (como em toda a temporada) para cravar a melhor volta em sua frustrada tentativa de recuperação.

Enquanto isso, assim como em 2010, Alonso não cometeu erros e se preocupou em terminar o GP. O problema foi o desempenho irreconhecível de sua McLaren. O espanhol ficou em terceiro o GP todo (e olha que o Petrov nem sonhava em ser piloto da Renault na época, hein???kkk). O resultado foi o mesmo de 2010: Alonso não ficou nem com o vice enquanto o cara que menos tinha chances (Raikkonen) levou a vitória e a taça.

Pode ser apenas uma teoria da conspiração, mas faltou algo que “desse asas” para a Red Bull de Mark Webber na Yas Marina Circuit, assim como parece ter faltado para a McLaren de Alonso em sua última corrida pelo time, ou na Williams (cheia de problemas mecânicos) de Carlos Reutmann em Las Vegas, 1981.

+ No mais, assim como Alonso, no lugar do Webber, provavelmente ninguém (talvez o Kobayashi) teria ido muito mais longe em uma pista tão estreita e sem retas. Enquanto Petrov leva a fama, Alonso deveria culpar Hermann Tilke.

+ Sobre Vettel, qualquer um que tivesse marcado a pole, provavelmente teria vencido. Ainda mais com o carro mais equilibrado. Não cometeu as costumeiras bobagens e no fim foi premiado com a melhor surpresa de todos os tempos: depois de cruzar a linha chegada, enquanto comemorava a vitória, foi aí que a equipe lhe informou via rádio que...” YOU ARE THE CHAMPION!”

Karai, esse pessoal da Red Bull sabe fazer uma festa como ninguém, kkk.

+ Webber merecia mais. Alonso também. No fim o título ficou com um campeão alternativo. O mais rápido sim, porém longe de ser o melhor da temporada, ao menos a conquista de Vettel satisfez a todos.

+ Esse não é o raciocínio mais natural para encerrar a resenha sobre o final da temporada 2010, mas como o VEL MAX vira e revira o lado alternativo do automobilismo... assistir a derrota de Mark Webber deixa bem claro o quanto Nelson Piquet é um gênio, ou como diria Galvão Bueno “um dos que cabem na mão”.

Reutmann, Alonso, Webber, Peterson, Villeneuve... ninguém venceu título contra a própria equipe. Quando Scheckter foi campeão em 79, ele era o número 1. Mario Andretti em 78? Número 1 também. Vettel em 2010? Número 1, oras. Sendo assim, termino a resenha do último GP deste ano com a certeza de que (hoje), Vettel é bom, muito bom, o campeão, mas como diria o Galvão “não entra entre os cinco da mão”.

Agora, puxando pela memória, qual foi o único que venceu contra tudo e todos????
Enquanto a maioria luta para ser “normal”, os gênios conseguem tirar proveito até mesmo das dificuldades. Gênio vence mesmo depois de sofrer um baita acidente em uma Tamburello da vida, vence mesmo que a equipe prefira o outro piloto e mesmo que esse outro piloto se chame Nigel Mansell.

Não sei na sua ou na mão do Galvão, mas na minha, Nelson Piquet é um dos grandes. Juro que isso não é nostalgia cheirando a barata morta, mas gênio Webber não é... e nem Sebastian Vettel.

OBS: Talvez Robert Kubica seja. Talvez.

OBS2: a temporada acabou. Que pena. Para o ano que vem, prometo continuar postando pelo menos os papéis de parede e as resenhas... sem data definida para isso. Dessa forma o VEL MAX passa a ser muito mais um anuário que um blog com postagens picadas sobre assuntos cotidianos. Entre as corridas postarei textos, uma Evolução da Espécie aqui, um Separados no Nascimento ali e por aí vai.



Um abraço,
Fernando Ringel
feringel@yahoo.com.br
@FernandoRingel (“Sigam-me os bons”, kkk)

quarta-feira, 10 de março de 2010

GUIA VEL MAX F1/2010: Renault

RENAULT F1 Team: De volta para o futuro???

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"feringel@yahoo.com.br: e a Renault?

[c=12]Pedro Ivo: Agora com Kubica e Petrov, a equipe mudou muita coisa. Um grupo de investidores comprou o time e tal. Ela não é mais a Renault exatamente, embora o design do carro tenha ficado muito parecido com o do ano passado.

Particularmente, acho q se ele andar bem vai ser mais pelo Kubica que pela qualidade do carro.

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feringel@yahoo.com.br: e o Petrov?

[c=12]Pedro Ivo: Meio mal. O carro já não é muito bom, e ele também não conseguiu muita coisa. O problema parece ser o posto de segundo piloto da Renault... sei lá, meio amaldiçoado..."

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__Coincidência ou não, faz algum tempo que escrevo um texto sobre a equipe francesa. Sabe qual o nome? “A Maldição do Carro n°2 da Renault”. Claro, o nome da maldição é.... $$$$. Só existe dinheiro para investir no primeiro piloto, escolhido a dedo. O segundo carro serve para cumprir o regulamento e testar novos talentos na base do, “se você conseguir andar nesse carro, vc é um gênio”. O problema é que o nome Renault é muito importante, e sua história vem incinerando bons talentos nas últimas temporadas.

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No meio da falta de dinheiro (coisa comum no automobilismo top desde que os patrocinios tabagistas começaram a sofrer restrições), o time teve boa parte de suas ações compradas por um grupo russo. Vejam só como as coisas mudam: nos anos 80, por duas vezes Bernie Ecclestone tentou colocar Moscou (como circuito de rua) no calendário da F1. Considerado uma “diversão besta” pelos líderes soviéticos, não deu.

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Nos 80, quem imaginaria que a própria União Soviética estaria tão próxima do fim? Naquela época, a maior esperança do leste europeu era o húngaro Czaba Kérja, falecido em uma corrida de F3 em 1988. Não parecia haver nenhuma chance de que, em dias não muito distantes, um polonês e um russo formarem uma dupla na F1. Muito menos que fosse por uma equipe importante para a história da categoria como a Renault, equipe clássica patrocinada pela... LADA!

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Nessa “nova Renault”, a viagem pelo passado continua: a utilização das cores oficias da montadora francesa na F1, amarelo e preto, dão um recado do tipo, “nós ainda somos Renault, a primeira a desenvolver um motor turbo na F1. Nos respeitem!”.

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FIca no ar algo do tipo, "é só a pintura do carro ou o pessoal da Renault também está com um sorriso amarelo???" Digamos que... “a situação atual na Renault está russa”, kkk.

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11 - Robert KUBICA (Polônia)

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Quem é?

Eterno favorito parte para a difícil tarefa de tentar recolocar a Renault nos eixos. Demonstra muito mais capacidade do que seus (bons) resultados podem sugerir.

Apontado por muitos como uma espécie de “Clay Regazzoni sem bigode”, Kubica tem um ponto fraco de luxo, (coisa que não é para qualquer um): se assemelha muito a Jean Alesi... e não estou falando isso porque ganhou sua primeira corrida em Montreal, após todos os favoritos terem problemas, nem por “pegar na unha” uma equipe tradicionalíssima em um péssimo momento...

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Jean Alesi tinha essas mesmas características: era o queridinho de todo mundo, mas o tempo foi passando, passando, o tal carro vencedor nunca apareceu... até que o cara ficou velho demais para correr em uma equipe Top.

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Por que eu disse isso? Ao que parece, com essa Renault R30, Kubica não vai conquistar sua segunda vitoria em 2010. Te cuida brother...

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Vale o quanto pesa?

A equipe passa por uma profunda reestruturação, tão profunda que mesmo após a contratação de Kubica muito se falava sobre a possibilidade do time simplesmente abandonar a F1. Por essas e outras, obviamente o polonês terá todos os esforços da equipe, o que é fundamental para o bom desempenho de um piloto.

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Talento, experiência, agressividade, paciência, tudo Kubica tem. Só está faltando "o" carro. Tirando as pinturas do seu capacete, dá para falar que este piloto não tem defeito nenhum, eheheh.

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12 – Vitaly PETROV – (Rússia)

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Quem é?

Com nome e sobrenome estranhamente fáceis de ler e escrever (kkk), Vitaly é o primeiro russo a chegar a F1 (Stalin deve estar se revirando no tumulo, kkk). Ano passado vice campeão da GP2.

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Não foi exatamente brilhante na pré temporada... se é que dá para tirar alguma conclusão das pré temporadas (ainda mais essa em que o regulamento mudou radicalmente).

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Menção honrosa para a pintura do capacete, NOTA 10!

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Vale o quanto pesa?

Nos últimos 3 anos, este mesmo segundo carro da Renault queimou dois pilotos que aparentavam ser futuros campeões: Nelsinho Piquet e Romain Grosjean.

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Petrov vai dirigir está senta no cockpit que promete ser “a” fogueira nesta temporada. Bem ou mal, o russo está na Renault, então, não há o que se desculpar. É o preço que se paga pela grife. Se Petrov iniciasse sua carreira na F1 em uma equipe de menor expressão, talvez contasse com um carro melhor e certamente muito mais tempo para mostrar se merece estar na categoria.

Na Renault, mesmo no segundo carro, fica feio largar no final do grid... até para um iniciante.

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Um abraço,

Fernando Ringel

feringel@yahoo.com.br

domingo, 7 de março de 2010

Separados no Nascimento: FEBRE AMARELA

__Demorei, mas o post finalmente está no ar. "RAPAIZ", não é que você está coberto de razão??? Exceto as laterais vermelhas dos aerofólios (by Total, petrolífera que curiosamente patrociniou e forneceu combustível para a Jordan por muitas temporadas), o Renault deste ano é mesmo muuuuuuuuuito parecido com a Jordan EJ15.

Só por curiosidade, este foi o último carro da Jordan na F1. Na foto vemos o português Tiago Monteiro rumo ao seu primeiro pódio, o último da equipe, no GP dos EUA de 2005 (corrida em que a Michelin acidentalmente "assassinou" Indianápolis), lembra? Seis carros largaram e Monteiro fez a sua parte, derrotando o companheiro Karthikeyan no mano a mano.

Não estou querendo rogar praga, mas parece que assim como a dupla da Jordan em 2005, Kubica e Petrov terão que se beneficiar de situações bastante adversas para conseguir resultados de maior expressão em 2010...
RESUMINDO: Agora vamos ver se o Kubica é mesmo tão bom o quanto parece.

OBS: prestes a se aposentar, Gil De Ferran teve chances concretas para finalmente correr na F1, no Jordan EJ15. Depos de Fittipaldi, Piquet e Senna, Gil é o maior vencedor do automobilismo brasileiro (venceu onde correu), e apesar da tentação, sabiamente optou por assisitir a F1 do sofá.

OBS2: No início da temporada ninguém apostaria um real que o Jordan EJ15 com motor Toyota conseguiria um pódio, mas caso tivesse aceitado o risco, no mínimo Gil teria conseguido o pódio em Indianápolis, o que seria épico já que o brasileiro venceu a Indy 500 em 2003.


Um abraço,
Fernando Ringel