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terça-feira, 28 de julho de 2009

A Volta por Cima (ou O Apoio a Felipe Massa)




Lauda e Hakkinen: dois campeões que tiveram suas maiores vitórias após superarem a morte


Por Pedro Ivo

Que a Fórmula 1 é um misto de velocidade, emoção, e perigo, todo mundo sabe - na verdade chega até a ser um lugar-comum falar isso, ainda que não tenha havido tanta emoção assim nessa temporada. O próprio Graham Hill definiu a F1 uma vez como "fumar um charuto havana dentro de uma banheira repleta de gasolina", e essa provavelmente foi uma das frases mais corretas até hoje sobre a categoria.
Muitos pilotos passam a carreira toda sem acidente grave algum, ou no máximo com uma ou outra pancada que não deixa sequelas. Já outros saem da F1 marcados pra sempre, no bom e no mau sentido. Felipe Massa, como todo mundo deve estar sabendo, sofreu um acidente causado por uma mola solta do carro á sua frente, que o atingiu pouco acima do olho. Mas o foco aqui não é falar do acidente ou daquilo que veio posteriormente a ele, e sim sobre volta por cima.

Uma célebre frase de Alberto Ascari, que diz que "a melhor maneira de se recuperar de um acidente é entrar o mais rápido novamente dentro de um carro de corrida", e se há dois pilotos que fazem jus mesmo a essa frase - e, espero, sirvam de grande exemplo e motivação para o Massa em seu retorno às pistas (e a torcida de muita gente é grande para que ele retorne) - são Niki Lauda e Mika Hakkinen.

Lauda, no GP da Alemanha de 76, disputado no inferno verde de Nürburgring Nordschleife, sofreu um acidente no qual sua Ferrari pegou fogo. O piloto ainda conseguiu ser retirado do carro com vida, mas com um percentual grande de seu corpo queimado. Foi submetido a infindáveis cirurgias plásticas, na tentativa de deixá-lo sem sequelas (quaisquer viessem a ser) do acidente. E a descrença em sua volta - à vida e às pistas - era tão grande que chamaram um padre para lhe dar extrema-unção, padre esse que ele expulsou no melhor estilo Nélson Piquet, dizendo "Preciso de médico, e não de padre!". As sequelas físicas, de fato, não foram tão grandes, mas Lauda ficou desfigurado, sendo chamado ironicamente pelos tifosi de "Il nostro Frankenstein".

Porém, foi após isso que em menos de 60 dias Lauda retornou ás pistas,conseguiu um quarto lugar em seu retorno e só perdeu o campeonato daquele ano por um ponto para James Hunt na última corrida, no GP do Japão, por medo confesso de correr sob um dilúvio e se acidentar novamente (e ainda assim deu o título de construtores à escuderia do cavalinho rampante naquela temporada!). A torcida ferrarista não o perdoou, queriam ver novamente o piloto que desafiou a morte e em tão pouco tempo retornou ao combate. Mas ninguém esperava que no ano seguinte o austríaco vencesse três corridas e levasse o título, e ainda mais que, após sua saída em 1979, retornasse três anos depois, pela McLaren e fosse novamente campeão, em 1984 - com o monstro de motor TAG-Porsche Turbo - por meio ponto, em cima de ninguém menos que Alain Prost, seu companheiro de equipe e, pasme, favorito ao título naquela temporada. O austríaco, naquele 1984, conseguiu seu tricampeonato, e definitivamente marcou a história não só como um dos melhores pilotos de toda a F1 - recebendo o justificado apelido de "piloto-computador" - mas também como um dos que mais foram marcados por ela.

Já Mika Hakkinen, quando partia para os treinos do GP da Austrália de 1995, tocou com seu McLaren numa saliência na pista e decolou. O impacto foi pesado e o "saldo" pior ainda: língua quase decepada, arcada dentária e base craniana fraturadas e sangue infiltrado nos pulmões. Hakkinen recebeu todo tipo de tratamento médico para poder retornar, de sessões de fisioterapia e exercícios de coordenação motora e reflexos visuais a atendimento psicológico . E o finlandês ditou em sua biografia "quando acordei e descobri que não tinha morrido, resolvi viver. E viver era voltar a pilotar". Hakkinen levou essa frase a sério e em 1998, em plena ascendência da era Schumacher, ganhou o título com o foguete prateado e preto projetado por Adrian Newey, que, em 1999 repetiria a dose no último GP, o do Japão, em cima do irlandês Eddie Irvine, para tristeza (repetida) dos ferraristas. Hakkinen se tornou o melhor piloto finlandês (junto com Kimi Raikkonen) na categoria, desde Keke Rosberg, e até hoje é o único finlandês bicampeão na F1. E vale lembrar que quase todos esses resultados foram conquistados após ele superar a morte.



Assim esperamos ver Massa o mais rápido possível: correndo e vencendo!

Felipe Massa, é verdade, ainda se recupera desse acidente. Tem se superado na recuperação, deixando os médicos otimistas. E ficam aqui nesse post os votos de melhora a ele, e a lembrança de dois grandes pilotos que não só driblaram a morte como retornaram às corridas com toda sede de vitórias e se firmaram como grandes campeões após isso. Massa tem mostrado nessa temporada que pode sim arrancar algum desempenho de um carro que começa a apresentar relampejos de melhora somente agora, e que faz sim jus à sua vaga na Ferrari. Seus títulos anteriores à F1, como dois campeonatos de F-Renault conquistados num mesmo final de semana, o título da F3000 com sobras e os bons préstimos fez à Sauber, além do seu desempenho em 2008 que quase valeu o título, provam isso.

E nós aqui do VEL MAX torcemos para que ele retorne logo às pistas, e com toda a sede de vitórias que Lauda e Hakkinen tiveram em seu retorno à vida!

sábado, 27 de setembro de 2008

Era Uma Vez... (05): Niki Lauda

No Continental Circus do nosso brother português, “Manoel” Speeder 76, vi a foto abaixo e me lembrei de um causo. Na verdade é uma piada. Conheço três versões dela, a Japonesa, a brasileira e a austríaca.

Versão Japonesa, por Ukyo Katayama:

Em uma entrevista coletiva para o GP de Portugal de 1993, o piloto da Larrousse Katayama resolveu contar uma piada:
_ Vocês sabem o que tem uma língua comprida, é gelado e não tem orelhas?
REPOSTA: O NIKI LAUDA... – kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.”

Versão Austríaca:

“ Em uma noite escura no meio da floresta, a tartaruguinha caminhava lentamente ate bater em cheio contra alguma coisa que se movia na direção contrária. Como não dava para ver nada, a tartaruguinha começou a tatear o outro ser:

- Hmmmmm, você é peludo, com dentes compridos... e orelha grande. Ah! É o coelhinho!
E o coelho, fazendo o mesmo:
- Hmmmmm, pele de cobra, sem orelhas... e de capacete. VOCÊ É O NIKI LAUDA !

Versão Brasileira (como sempre aparecia nos filmes da Sessão da Tarde, “Versão Brasileira, Herbert Richards”):

Essa foi inventada no GP Brasil de 1985, ano em que Lauda abandoou 10 dos 16 GPs da temporada e se aposentou no final do ano:

O Coelho tinha feito a pole position para o GP do Brasil, e já ia posicionando seu carro para a primeira fila da largada, avistou uma tartaruga chegando bem lentamente e se posicionando para a largada também. O coelho, assustado, chegou pra tartaruga e perguntou:
_ Você é a tartaruga, né?? - a tartaruga bem devagar respondeu: _ Sou eu sim seu coelho, por quê?_ Cadê a suas orelhas, hein?
_Ué, tartaruga não tem Orelha, seu coelho.
_ E essa cara enrugada, por que tá assim??
_ Todas as tartarugas possuem cara enrrugada, seu coelho. - Então o Coelho deu um chute no carro e gritou:
_ NÃO VOU CORRER MAIS NÃO!!!!!!!'' - Todos, surpresos perguntaram ao Coelho:
_ Ué?????? Mas por quê?????? Você é o favorito absoluto.... - Então o Coelho desabafou:
_ Essa tartaruga é o Niki Lauda!

X

Realmente a “Versão Brasileira, Herbert Richards” é a mais fraquinha... e me parece ter o mesmo estilo das brincadeiras do Piquet.

XX

Que sacanagem do pessoal, humor negro, mas pela língua do Lauda, ele merece, ehehehehehe.
E o mais incrível é que a do Katayama aconteceu mesmo, kkkkkkkkk.


Fernando Ringel