sábado, 20 de novembro de 2010

F1: notas sobre o GP

Nota para a corrida: 8

+ Muitos (inclusive eu), viemos através dos anos falando cobras e lagartos de Interlagos. Uns por saudosismo do antigo traçado, outros (mais novos) mal acostumados com as monótonas corridas de abertura em que o circuito foi palco.

+ A má impressão foi bastante reforçada pela incrível má sorte dos brasileiros na pista. Tirando as belas performances do Massa (mesmo em seus tempos de Sauber, quando chegou liderar em uma estratégia suicida nos pit stops) até Ayrton Senna a zica perseguiu.

+ Talvez em função da melhora do asfalto, a edição 2010 do GP do Brasil foi infinitamente superior as demais edições disputadas em pista seca. Lembrando que não estou escrevendo isso por causa das alternativas abertas pela disputa do título. A corrida foi muito divertida em todo o pelotão. Isso pode ser comprovado pela dificuldade das Red Bull em ultrapassar filas de pilotos brigando por posição.

+ Dito isso, durante o GP finalmente enxerguei as qualidade do traçado. Realmente, que beleza! Interlagos é algo como um tipo de Brands Hatch tupiniquim!!! Ver o grid inteiro “se pegando” subindo pra cá, tocando rodas e descendo prá lá, dividindo curvas cegas em subidas, descidas, a “Eau Rouge brazuca invertida”, popularmente conhecida como “esse do Senna”, sem falar na eterna possibilidade de chuva... KARAI!

Ver um “trenzinho” percorrer o circuito é chato, mas vê-los dividir as curvas lado-a-lado realmente é muito emocionante. Taí um típico circuito dos anos 90 que foi muito bem adaptados aos anos 2000.

+ Como demorei muito para postar essa resenha (está pronta desde domingo passado, mas só pude revisar o texto neste final de semana), para a melhor compreensão do texto, sugiro que você assista ao compacto abaixo para relembrar os fatos da corrida:

+ Hulkemberg teve seu dia de sonho em uma pole totalmente irreal. Nada contra o alemão, apenas uma questão de análise fria dos fatos. A diferença de tração da Williams para Red Bull, Ferrari e McLaren é gritante. (Também) Por isso tantos “xis” em cima do Hulk.

+ Barrichello vinha bem, tirando tudo e mais um pouco de sua fraaaaca Williams FW32. O problema é que em Interlagos as coisas realmente não saem muito bem com ele. Mais ou menos como o Corinthians e a Libertadores. No caso do Barrica, pior ainda se ele resolve usar uma pintura comemorativa.

+ A vida é muito irônica em certas ocasiões. O mais curioso de tudo é que Rubinho é muito veloz em Interlagos, mas... sempre acontece alguma coisa. Uma pena.

+ O resultado final pode ter parecido meio decepcionante, mas apesar dos esforços do time, convenhamos, o lugar de direito dos carros do Tio Frank é a briga pelo décimo lugar. No fim das contas, Barrica apareceu menos, porém fez mais do que o Hulk na Williams (mesmo com o ótimo 8° lugar). É só ver como rapidamente o alemão caiu para a décima posição para ver a proeza do brasileiro em colocar este carro em sexto no grid.

+ Já pilotei um F1? Não. Porém acredito que Williams, Mercedes e Renault são como naqueles jogos de corrida bem arcade em que o carro é lento nas retas e ótimo nas curvas. Carro para iniciante, nível fácil.

McLaren já fica no meio do caminho. Já a Ferrari é aquele típico canhão nas retas, bastante nervoso nas curvas em que só os melhores jogadores conseguem dirigir rápido. Nível very hard, expert.

Quanto a Red Bull, trata-se daquele tipo de carro que você só consegue fazendo “manhas”, batendo recordes ou usando “aquela password”, eheheheh.

+ Completamente anos 80/90 o parágrafo acima, kkkk.

+ Na “Turma do Fundão”, quem te viu, quem te vê: Timo Glock se diz chateado por ter chegado atrás das Lotus. “AH, MULÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉKI!”

+ Implorando por uma punição, os dois da Toro Rosso bateram rodas com Deus e o mundo para no final bater cabeça. A equipe chegou a sentir o cheiro dos pontos com Alguersuari, mas morreu na praia: apesar de novamente bem, o espanhol chegou em décimo primeiro.

+ Falando das equipes que disputam as 10 primeiras posições, Schumacher está cada vez melhor. O problema é que isso (ainda) não é suficiente para bater o Rosberguinho. E olha que Nico teve problemas no boxes e tals.

+ Para o Schumacão, em 2011 não tem desculpa...ou vai ou racha.

+ Kubica fez o que deu em uma Renault que aparenta andar para trás a cada GP. Hulkemberg fez o dever de casa (como dito de maneira mais aprofundada algumas frases acima) enquanto Kobayashi marcou mais um precioso ponto na luta pela sobrevivência da Sauber.

+ Embora as estatísticas ainda (eu disse ainda) digam o contrário, finalmente podemos dizer, sem receio, este é o melhor piloto japonês da história da F1.

+ Interessante notar como a McLaren tradicionalmente não se dá bem no “novo” Interlagos. Apesar do bom trabalho dos pilotos, o carro não ajuda.

+ Hamilton fez um arroz com feijão (sem Sazon, kkk) enquanto Button, dando uma de Prost (mais uma vez), descomplicou o que parecia irremediavelmente perdido: saindo do meio do pelotão após uma classificação pra esquecer, mudou de estratégia, saiu de trás do Massa e apareceu (ISSO É UM ESPANTO by Cid Moreira) atrás do Hamilton!!!!

+ Chuck Norris. Para um piloto britânico do chá das 5 até o dedão do pé, mais uma performance a lá James Bond.

+ Sobre Sebastian Vettel, o vencedor, só tenho a dizer que... nem sempre o mais rápido é o melhor piloto. Gilles Villeneuve, Stirling Moss, Peterson e os Alesis da vida que o digam.

+ Estendo a frase acima à Lewis Hamilton.

+ A temporada 2010 da Red Bull em partes pode ser comparada a Senna e Prost em 1989. Assim como Senna, Vettel é o mais veloz... e o que erra mais, enquanto Webber se mostra mais inteligente, exatamente como Prost. O campeão de 1989.

+ Outro ponto em comum é a postura da Red Bull. Em 1989, Senna tinha menos tempo de casa, mas era o xodó da equipe. Embora pareça que a McLaren não tenha se posicionado em relação a um de seus pilotos, de maneira subliminar, Senna era o número 1. Em 89, Prost já era duas vezes vice e campeão pela equipe em um título improvável, fruto do seu talento (1986). No time desde 1984 (sendo que estreou pela McLaren em 1980), só o fato de Prost não ser explicitamente o número 1, deixava no ar, no mínimo, uma certa torcida por Senna.

+ Algo do tipo, “não favoreço ninguém, mas também não vou impedir o Senna de ser campeão”. Prost, com razão, não gostou. Webber, como sempre esteve na frente de Vettel em 2010, também não gostou.

+ A grande diferença fica por conta dos rivais. Em 89 a McLaren ainda era “o carro do outro mundo” (em 88 foi “o carro do outro universo”) enquanto em 2010 a Red Bull não é tão melhor assim que as outras.

+ A tendência natural é de que Webber seria o campeão, mas a F1 é extremamente política, o que embaralha tudo nas mãos de Bernie Ecclestone mais uns endinheirados aqui e alí. Diria até que se não houvessem corridas com chuva, os erros de pilotagem e as falhas mecânicas, os campeonatos seriam decididos antes mesmo da primeira corrida da temporada.

+ Partindo desse ponto de vista, temos que analisar também os motivos que trouxeram a Red Bull para a F1. Marketing baby, marketing. Ninguém está interessado em Vettel, Webber ou Christian Horner. Adrian Newey já conquistou o título na “sua categoria: Red Bull campeã de Construtores de 2010. A equipe venceu. Ponto final. O campeonato de pilotos vale mais pela mídia que atraí... e nesse ponto: quanto mais briga + polêmica + publicidade = $$$.

+ A base da Red Bull no esporte é a publicidade. Eles patrocinam tudo que seja tido como esporte radical. De campeonato de skate de dedo, campeonato de Air Guitar até F1 e Esqui no gelo. Daqui a pouco vão patrocinar as Olimpíadas, e se a Coca Cola não quiser largar o osso, vão patrocinar até a Coca Cola, hauhauhauha. O negócio é tão massante que esses dias olhei para uma latinha da Bad Boy (marca que conheço desde a minha infância em bonés, camisetas, cadernos, chaveiros e o escambau). Vi a famosa logo, li as letras B-a-d B-o-y, mas pensei "olha a latinha da Bad Bull", kkkk. É isso que o Mister Red Bull quer com essa tal de F1: Vettel, Webber eu e você que nos explodamos (existe essa palavra???kkkkk).

+ Money talks, baby. Deixar tudo na base da esportividade reforça a imagem positiva que a publicidade visa criar em torno da marca “que te dá asas”. No mínimo, todo esse bafa-fá se traduz em publicidade institucional.

Muito por causa disso, e em função da péssima repercussão do jogo de equipe para a Ferrari, a RBR fica em cima do muro, dando uma de santa.

+ Finalizando... por que deixei a Ferrari por último??? Digo que se Alonso for campeão, o título estará nas mãos de um cara que merece. Ele é de fato muito bom (especialmente em 2010), mas muito sortudo também. Seja pela deficiência da McLaren, pela falta de juízo dos Hamiltons e azar dos Kubicas, Alonso está com tanta sorte, mas tanta sorte que... a Red Bull insiste em não garantir o título para si. Como se Webber não fizesse parte do time. (!)

Definitivamente, se alguém está com a tal sorte de campeão, esse alguém se chama Fernando Alonso.


OBS: postarei a resenha de Abu Dhabi já, já, inclusive explicando algumas mudanças quanto ao número e freqüência de postagens no VEL MAX.

Um abraço,
Fernando Ringel
feringel@yahoo.com.br
@FernandoRingel (“Sigam-me os bons”, kkk)

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